A Lava-Jato que atrapalha a Lava-Jato

O Brasil é de todos os que são do bem, como expressa a tela Pátria, pintada pelo artista Pedro Bruno em 1919 Quando um ex-presidente da República é conduzido coercitivamente para depor pela Polícia Federal mesmo sem ter recebido antes uma convocação e recusado atendê-la; quando um juiz anexa em processo escuta telefônica que sabe ter sido feita duas horas depois de ele mesmo tê-la suspendido, o que a tornou ilegal; quando um representante do Ministério Público Federal concede entrevista a um jornalão do tamanho da Folha de São Paulo e diz que o melhor que o Supremo Tribunal poderia fazer era acatar certos pedidos de prisão preventiva feitos por um Procurador Geral que está doido para experimentar a faixa presidencial e, jogando para a platéia, faz esses pedidos mesmo sabendo não haver sustentação jurídica alguma para tal, acende nos brasileiros mais observadores, nos que pensam com o cérebro e não com o fígado, uma luz de preocupação. O que todos queremos é que a Operação Lava-Jato passe mesmo o Brasil a limpo, que varra os bandidos da vida pública, que lave a alma dos brasileiros e encarcere de verdade os saqueadores da nação. Queremos e torcemos por isso, mas tudo precisa ser feito dentro da lei, de forma que nada possa vir a ser derrubado mais lá na frente, em instância superior.

Agora, mais recentemente, veio a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo. Ótimo! Tem que prender? Prendam, mas façam a coisa direito, pelo amor de Deus! Bernardo, segundo apontam as investigações, teria participado de um esquema que colocou em bolsos corruptos pelo menos R$ 100 milhões tirados de trabalhadores públicos endividados com os empréstimos consignados, mas pode vir a ser solto a qualquer momento, por causa de uma barbeiragem: foram prendê-lo em dependência do Senado, onde a Polícia Federal só poderia entrar com determinação do STF e não por ordem de primeira instância.

São João sai à luta contra a violência

Organizados, os manifestantes seguiram até a Rodovia Presidente Dutra, onde caminharam por cerca de quatro quilômetros (Foto: Extra/Cleber Junior) Moradores da cidade participam do movimento Meriti pela Paz contra a violência e falta de segurança

Cerca de 30 mil pessoas, segundo estimativa dos organizadores, caminharam na manhã desta segunda-feira da Praça José Amorim, em Vilar dos Teles, até a Rodovia Presidente Dutra, onde seguiram por uma das faixas em ato público contra a falta de segurança na cidade. O evento foi para chamar a atenção das autoridades estaduais e denunciar que o município, embora tenha um batalhão da Policia Militar, o 21º BPM, conta com um efetivo de apenas 35 policiais por dia. Em seu discurso o prefeito Sandro Matos comparou São João de Meriti com o Iraque, por conta do convívio diário dos moradores com balas traçantes. “Temos que nos organizar. Os bandidos estão tomando conta de São João. Nós cansamos de pedir, agora exigimos mais policiais militares nas ruas. Se precisar vamos para a porta do governador”, disse o prefeito.

Meriti une suas forças pela paz

Em fevereiro, durante reunião no Palácio Guanabara, prometeu-se reforço para o município e em agosto de 2013 o prefeito Sandro Matos discutiu com José Mariano Beltrame, que insistia em não aceitar que os bandidos do Rio migravam para as cidades da Baixada Fluminense Movimento quer discutir propostas que resultem em mais segurança na cidade. Uma delas sugere o fim das UPPs que tiraram os bandidos da capital e os mandaram para a Baixada e o interior do estado

Na próxima segunda-feira, a partir das 18h, pré-candidatos a prefeito de São João de Meriti, parlamentares do município, líderes comunitários e representantes do comércio e da indústria locais estarão reunidos na Câmara de Vereadores para a abertura do Movimento Meriti Pela Paz, oportunidade ao debate e a aprovação de propostas que possam vir ajudar no combate a violência. Sem cor partidária, o movimento vai avaliar, inclusive, uma sugestão que deverá gerar grande polêmica, o fim das Unidades de Polícia Pacificadora, um projeto de segurança pública que privilegiou alguns bairros do Rio e prejudicou os municípios da Baixada Fluminense, região que além de perder parte significativa do efetivo policial, foi invadida pelos bandidos que as UPPs tiraram dos morros e favelas cariocas.

Avião-cisterna vai facilitar combate a incêndios no RJ

O avião também será usado em outras atividades relativas Aeronave adquirida pelo Inea atuará no patrulhamento para combater focos de fogo ainda no início

No período entre os meses de abril e junho os focos de incêndios aumentam bastante devido à prática criminosa de soltura de balões e este ano, desde este final de semana, o Corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro está contando com o reforço de um avião turbo-hélice adaptado com cisterna que pode transportar até 1,8 mil litros de água por vôo. O Airtractor modelo 502B foi adquirido pelo Instituto Estadual do Ambiente para atuar na extinção de focos de incêndio, através do lançamento de água ou produtos químicos. Segundo o secretário do Ambiente, André Corrêa, a aeronave foi adquirida com recursos privados captados através de compensação ambiental.

Vereador viajante pode perder a cadeira em Araruama

Claudio Norberto pode perder a cadeira na Câmara Gazeteiro, Claudio Norberto é apontado como homem de confiança do prefeito Miguel Jeovani em negócios privados

Os atuais mandatos de prefeito e vereadores têm pouco mais de sete meses de durabilidade, mas o pouco que tempo que resta não inibe o esforço de suplentes na tentativa de sentarem numa cadeira de vereador, ainda que por uns poucos dias. No município de Araruama, por exemplo, Claudio Norberto Gonçalves (PV), eleito com 1.230 votos, pode perder o mandato se a comissão de inquérito aberta contra ele assim decidir. Ele é alvo de uma representação feita por um dos muitos suplentes da coligação que ajudou elegê-lo, João Carlos Alves Machado, que em 2012 concorreu pelo PDT e teve apenas 268 votos.

Pré-candidatos não querem ser ligados ao PT

Rodrigo Neves, Zaqueu Teixeira e Marcelo Zelão se abrigaram em outras legendas para o pleito deste ano Mas aceitam, na encolha,apoio que puderem auferir

O deputado estadual Zaqueu Teixeira é petista desde que ingressou na vida pública. Adorava aparecer ao lado do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Roussef, mas como esses dois caíram em desgraça e o PT já é considerado um Titanic, ele tratou de descer da árvore. Teixeira, que foi chefe da Polícia Civil no desastroso governo de Benedita da Silva, embarcou no PDT e pretende disputar a Prefeitura de Queimados, município da Baixada Fluminense governado pelo PMDB desde a sua emancipação. Rodrigo Neves também era, até poucos dias, um colecionador de fotografias tiradas com Lula e Dilma, mas, a exemplo de Zaqueu, pulou fora do naufragado Partido dos Trabalhadores para poder cuidar da vida e da reeleição em Nitrerói. O mesmo aconteceu na minúscula Silva Jardim, cidade do interior, onde o ex-prefeito Marcelo Zelão, se a Justiça deixar, pretende disputar o poder, sem, desta vez, mostrar foto autografada pelo companheiro Lula.

`Miopia´ afeta o Centro de Operações de Nova Iguaçu

O secretário de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana Rubens Borborema acha que o Conig é um grande avanço, mas para isso ser realidade é preciso que a segurança pública esteja entre as prioridades e não apenas o direcionamento de multas de trânsito Setenta e seis câmeras “vigiam” a cidade 24 horas por dia, mas as informações servem apenas para aplicação de multas a carros particulares. Veículos do transporte alternativo, ônibus e flagrantes assalto passam batido pelas lentes míopes

No início deste mês bandidos fortemente armados fizeram um arrastão nas Avenidas Roberto Silveira e Araguaia, vias importantes da cidade, monitoradas, assim como toda a região central, pelo Centro de Operações de Nova Iguaçu (Conig), inaugurado no dia 22 de março pela Prefeitura, para, segundo o prefeito Nelson Bornier, reforçar a segurança. “Esse trabalho não foi feito de qualquer maneira. Foram vários dedos de pessoas de nossas secretarias, de pessoas ligadas à Secretaria de Transportes, de pessoas que estudaram muito o projeto. A Polícia Militar, por exemplo, acompanhou tudo, passo a passo, e estará aqui 24 horas por dia para dar suporte no quesito segurança”, disse Bornier no ato da inauguração. Pouco mais de uma semana depois a bandidagem fez a limpa. Levou carros, jóias, dinheiro, celulares e a polícia, apesar do fácil acesso e da monitoração, só chegou ao local muito tempo depois da fuga dos marginais.

Nestor diz que um simples levantamento mostraria a verdade

Nestor Vidal: 'Trata-se de um grupo que se reuniu com propósito de apoderar-se do governo' Advogados acreditam que a cassação poderá ser derrubada na Justiça no máximo em uma semana

A defesa do prefeito de Magé, Nestor Vidal, cassado ontem por decisão política da Câmara de Vereadores com voto de 12 dos 17 vereadores, já está com recurso pronto para tentar reverter a situação. Em nota divulgada agora a pouco o prefeito afirmou que sua cassação é resultado do esforço de um grupo formado para tomar o governo. Com a saída de Nestor o sucessor será o presidente da Câmara, Rafael Santos Souza, o Tubarão, pré-candidato a prefeito pelo PPS. “A Câmara Municipal de Magé votou a minha cassação por dois motivos de fácil apuração dos fatos. Um simples levantamento de documentos comprovaria a inexistência ou não de irregularidades para afastamento do prefeito. Porém trata-se de um grupo que se reuniu com propósito de apoderar-se do governo e usar a máquina pública para benefícios pessoais”, diz um trecho da nota, na qual Nestor também fala sobre as denúncias que resultaram na formação de comissões processantes contra ele.

E a população é quem paga o pato

Os prejuízos com destruição de ônibus chegaram a R$ 19 milhões nos últimos 12 meses segundo aponta a Fetranspor Cada ônibus incendiado leva seis meses para ser substituído

Os traficantes que trocam tiros com policiais em confrontos que quase sempre ceifam a vida de inocentes como o menino Matheus Santos de Moraes, de cinco anos, morto no bairro Lagoa, na noite do último sábado, em Magé, de acordo com os órgãos estaduais de segurança pública, são os mesmos que obrigam os moradores das comunidades as quais mantém sob o domínio do medo a saírem pelas ruas em manifestações violentas, que nos últimos 12 meses, segundo dados da Fetranspor, destruíram 50 ônibus. As balas perdidas, além de matarem quem nada tem a ver com essa guerrilha urbana, são motivação para protestos que quase sempre servem aos interesses da bandidagem: o chefe do crime manda e quem não obedecer pode ser executado e é exatamente isso que as autoridades identificaram nas ações de destruição que abalaram Magé no fim de semana. Prova disso é que na manhã de domingo uma mulher foi presa no centro de Magé transportando em uma mochila vários coquetéis molotovs. Essa pessoa, com certeza, não estava protestando contra a morte de Matheus, mas se deixando usar pela bandidagem do bairro Lagoa.

Cenário de guerra em Magé

Uma primeira estimativa aponta que os estragos, entre os ônibus incendiados e depredações nos arredores, podem ter causado prejuizo de R$ 5 milhões Doze ônibus incendiados, um menino morto e três moradores feridos sem gravidade

Foi identificado como Matheus Santos de Moraes o menino de 5 anos morto na noite de sábado no bairro Lagoa, em Magé, durante confronto entre policiais militares e bandidos que dominam a comunidade. O saldo da destruição foi confirmado agora a pouco pelas autoridades: 12 ônibus destruídos, três moradores feridos sem gravidade e algumas lojas danificadas. As armas dos primeiros policiais militares que chegaram ao bairro foram apreendidas pelo delegado Ginilton Lages, titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) para exames. Segundo o delegado, eles estavam numa viatura em policiamento nas proximidades do bairro quando teriam sido recebidos a tiros por traficantes. Revidaram e no confronto o menino foi baleado, sendo levado em seguida para o Hospital de Magé, mas não resistiu aos ferimentos.