Servidores da Câmara de Resende ‘vivem’ na estrada

Pelo menos é o que sugerem as diárias com valor fixo pagas todos os meses

Além dos vereadores, que juntos já fizeram dezenas de viagens este ano, os motoristas da Câmara Municipal de Resende, cidade do Sul Fluminense, também estariam “vivendo” na estrada, tal é o volume de pagamento de diárias registrado em nome de quatro servidores, com valor fixo de R$ 1.750,00 ao mês. No período de 7 de fevereiro a 8 de junho o presidente da Casa, Roque Cerqueira da Silva (foto), autorizou o total de R$ 29.750,00, despesa informada no Portal da Transparência do Legislativo apenas como “pagamento de diárias de motorista”, sem revelar os destinos e os motivos das tais viagens ou disponibilizar qualquer justificativa para o gasto.

Resende, capital Brasília

O vereador Tiago Vieira Martins da Silva, o Tisga, é um dos que mais viajaram à Brasília este ano e ainda deu um pulinho em São Paulo com uma diária de R$ 500 (Foto: A Voz da Cidade) Vereadores viajam ao Distrito Federal até para visitar deputados vizinhos

O deputado Waderley Alves de Oliveira, o Deley (PTB-RJ), mora em Volta Redonda, onde pode ser encontrado facilmente nos feriados e fins de semana, mas para visitá-lo dois vereadores de Resende – cidade localizada a 50,5 quilômetros de distância da base do parlamentar e a 1.092 quilômetros de Brasília – embarcaram hoje (21) para a capital federal. Segundo registro no Portal da Transparência da Câmara, Alessandro Ritton e Luís Henrique Sene (foto) saíram nesta quarta-feira e retornam amanhã, tendo recebido cada um R$ 1.250,00 de adiantamento para as despesas, quando não gastariam, juntos, nem R$ 100 para irem a Volta Redonda e retornar, com chances, inclusive, de filarem o almoço na casa do deputado. Essa é a segunda viagem de Alessandro à Brasília este ano e a quarta de Luis, mesmo número de visitas ao DF feitas neste primeiro semestre pelos também vereadores Tiago Vieira Martins, o Tisga e Caio Marcelo Bauer.

Arrecadação de Macaé dispara e a falta de material também

Funcionários revelam que fazem “vaquinha” para comprar papel higiênico

O primeiro semestre ainda nem terminou e a Prefeitura de Macaé já arrecadou quase a metade do orçamento de R$ 1,9 bilhão aprovado para o exercício de 2017. A estimativa é de que o município feche o ano com uma receita de mais de R$ 2 bilhões, por conta da arrecadação com royalties do petróleo e o Imposto Sobre Serviço, que estão se mantendo em alta desde o dia 1º de janeiro, mas a realidade em alguns setores da administração municipal, segundo revelam servidores, é de penúria, pois têm faltado materiais básicos como produtos de limpeza e papel higiênico. Segundo os funcionários, a fartura só existe no gabinete do prefeito Aluizio dos Santos Júnior, o Dr. Aluizio (foto), onde, afirmam, não tem faltado nada. Até ontem (14) tinham entrado nas contas da Prefeitura R$ 945.053.213,86, devendo cair pelo menos mais R$ 50 milhões até o próximo dia 30.

Saúde de Porto real está ‘’doente’’

Paciente com bolsa fecal estourada é exposto a constrangimento no hospital da cidade

O sistema de saúde de Porto Real, ao que tudo indica, está mesmo em estado terminal. Esta semana, um paciente sofreu constrangimento, e risco de contaminação, ao buscar atendimento no Hospital Municipal São Francisco de Assis. O idoso teria dado entrada por volta das 15h30 por causa do rompimento de sua bolsa fecal, um acessório de baixo custo, mas essencial para o tratamento de doenças do aparelho intestinal. Até o início da noite o doente encontrava-se sobre uma maca suja de fezes e sem o atendimento necessário, o que causou revolta na população que pede providências ao Ministério Público, já que a cidade estaria sem comando há algumas semanas por causa da ausência do prefeito Jorge Serfiotis e a vista grossa do presidente da Câmara de Vereadores, Gilberto Caldas, que já recebeu uma denúncia formal, mas tomou nenhuma providência.

Prefeito de Macaé se atrapalha com tanto dinheiro

Mesmo com a Prefeitura arrecadando além do previsto o governo está deixando faltar papel higiênico e material de limpeza nas unidades da rede municipal de ensino

Enquanto a grande maioria dos prefeitos brasileiros está contando centavos para pagar as contas, o prefeito de Macaé, Aluizio dos Santos Junior, o Dr. Aluizio (foto), não pode reclamar da vida. A administração municipal fechou o primeiro quadrimestre com receita além do esperado, registrando uma arrecadação equivalente a 39% do total do orçamento para o exercício de 2017, fixado em R$ 1,9 bilhão. Entretanto, ao que parece, Aluizio não está sabendo tocar o barco, pois profissionais da rede municipal de ensino revelam que tem faltado papel higiênico e produtos de limpeza em algumas escolas, uma vergonha para um governo que não pode nem pensar em falar de crise, pois esperava arrecadar cerca de R$ 70 milhões com os royalties do petróleo e recebeu, entre 1º de janeiro e 30 de abril, R$ 143 milhões da Agência Nacional de Petróleo, órgão encarregado da distribuição dessa compensação financeira. De acordo com a prestação de contas feita na Câmara de Vereadores, a arrecadação apresentou no primeiro quadrimestre um volume de receita 17,9% acima do esperado, somando R$ 742,4 milhões.

Madalena paga a seu prefeito salário de cidade grande

Ele administra um dos municípios mais pobres do estado do Rio de Janeiro e ganha mais que o governante da rica Volta Redonda, que tem universo populacional 26 vezes maior

Santa Maria Madalena tem pouco mais de 10 mil habitantes, é uma das cidades mais pobres do Rio de Janeiro e está na 83ª posição no estado em relação ao número de moradores, mas o prefeito Carlos Alberto de Matos Botelho,  o Beto Verbicário (foto), recebe subsídio de gestor de cidade grande, ganhando mais, por exemplo, que o prefeito Elderson Ferreira da Silva, o Samuca Silva, de Volta Redonda, cidade que se encontra na 10ª colocação. De acordo com a Lei Municipal 2017 de 24 de junho de 2016, o subsídio do prefeito de Madalena para o período de 2017 a 2020 foi fixado em R$ 21 mil, enquanto a Câmara de Vereadores de Volta Redonda (que tem 260 mil moradores) aprovou vencimento de R$ 17.440,00 para o gestor local durante o mesmo período. Se Santa Maria Madalena ultrapassa Volta Redonda no quesito salário de prefeito, perde feio no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal medido pelo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Segundo a pesquisa, Madalena ocupa a 78ª posição no IDH-M, enquanto Volta Redonda está em 4º lugar.

Resende quer saber se existe “sujeira” em contrato de limpeza

Cidade três vezes maior gasta menos com o mesmo serviço

Com cerca de 350 mil moradores, Pelotas, no Rio Grande do Sul, gasta R$ 3,2 milhões por ano com a terceirização dos serviços de limpeza de suas escolas, enquanto Resende, cidade do Sul Fluminense com um universo populacional quase três vezes menor (cerca de 130 mil, segundo o IBGE) vai pagar bem mais se o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro não agir como o de lá fez: a 2ª Promotoria de Justiça Especializada de Pelotas abriu um inquérito, moveu uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito da cidade e conseguiu suspender o contrato. Em Resende, que tem quase quatro vezes menos unidades escolares que o município gaúcho, o contrato é de cerca de R$ 3,5 milhões e acabou de ser renovado sem licitação pela administração comandada pelo prefeito Diogo Balieiro.

Porto Real quer saber quem está governando

Doente, prefeito raramente aparece, mas não se licencia para o vice-prefeito assumir

Apesar de ter sua importância reconhecida por todas as instituições sérias do Brasil, a denúncia anônima não tem validade na pequena Porto Real, cidade de cerca de 20 mil habitantes, no Sul Fluminense. O presidente da Câmara Gilberto Caldas decidiu arquivar uma solicitação que pedia a abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar a ausência do prefeito Jorge Serfiotis, que já estaria há algumas semanas fora da Prefeitura. Caldas preferiu usar o microfone para atuar como advogado do prefeito e, sem avaliar o conteúdo, muito menos a gravidade da denúncia, virou-se contra o denunciante anônimo e fez vista grossa para o caos administrativo na cidade, com a ausência do prefeito sem a autorização da Câmara.

Câmara de Macaé aponta “fantasmas” na Prefeitura, mas não consegue controlar o ponto dos 211 assessores indicados por seus 17 vereadores

● Elizeu Pires

A julgar pelas denúncias de contratados por tempo determinado que estariam recebendo sem trabalhar a Prefeitura de Macaé tornou-se um imenso castelo mal assombrado, situação que o prefeito Aluizio dos Santos Junior, o Dr. Aluizio, parece não fazer a mínima questão de esclarecer, já que não presta nenhuma informação sobre a lotação e a frequência dos contratados. Na semana passada o assunto foi discutido fervorosamente na Câmara de Vereadores, inclusive por quem até bem pouco tempo se esforçava para encobrir tudo o que se denunciasse contra o governo. Porém os próprios parlamentares têm esqueletos no armário e divergem quando a proposta é se livrarem dos seus próprios espectros, criando dificuldades, por exemplo, para implantar o que é muito simples em qualquer empresa privada, o controle do ponto dos funcionários. Ao todo o Legislativo macaense tem 154 servidores efetivos, 21 ocupantes de cargos de chefia ligados à presidência da Casa e 211 assessores lotados nos gabinetes dos 17 vereadores, uma média de 12,4 por parlamentar.

Ex-prefeito de Três Rios está preso em Brasília

Celso Jacob foi condenado por fraude em licitação e falsificação de documento

Está preso desde a noite de ontem (6) o suplente de deputado federal em exercício de mandato, Celso Jacob (foto). Ele teve condenação confirmada pelo Supremo Tribunal Federal no dia 13 de maio, bem como a suspensão dos seus direitos políticos. Jacob foi detido por agentes da Polícia Federal ao desembarcar em Brasília. Celso é considerado culpado pelos crimes de dispensa indevida de licitação e falsificação de documento público. Isso ocorreu em 2002 no município de Três Rios, onde ele cumpriu dois mandatos sucessivos de prefeito. O último recurso impetrado pela defesa de Jacob foi rejeitado pelo STF no dia 23, quando a corte determinou a imediata execução da pena de 7 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto (que permite o trabalho fora da cadeia durante o dia).