Trabalhadores de cooperativa levam cano em Mesquita

Em novembro, trabalhadores fizeram o enterro simbólico do então prefeito, mas o protestou não gerou efeito Instituição recebeu mais de R$ 200 milhões, mas saiu devendo

Os trabalhadores que prestaram serviços ao município de Mesquita através da Cooperativa de Profissionais de Serviços Gerais (Coopsege) durante a gestão do prefeito Gelsinho Guerreiro serão obrigados a recorrer à Justiça do Trabalho para receberem salários atrasados e verbas rescisórias. A instituição recebeu mais de R$ 200 milhões - cerca de R$ 70 milhões só no ano passado - e responde a ações trabalhistas em várias cidades onde atuou e ainda atua, foi a principal fornecedora de mão de obra temporária entre 2013 e 2016 e chegou a ser denunciada por irregularidades na contratação de pessoal e de ter “fantasmas” em sua folha de pagamento. Em maio do ano passado, foram encontrados em uma lista com 3.253 nomes enviada à Justiça 85 CPFs e 535 supostos contratados sem o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas da Receita Federal. A Coopsege é acusada de calote pelos trabalhadores.

Cooperativa não vai mais atuar em Mesquita

Coopsege recebeu mais de 200 milhões e mesmo assim saiu devendo aos trabalhadores 

Amparada por uma decisão sui generis do Supremo Tribunal Federal, a Cooperativa de Profissionais de Serviços Gerais (Coopsege) atuou livremente em Mesquita nos últimos quatros e faturou mais de R$ 200 milhões dos cofres da municipalidade, fornecendo funcionários terceirizados que custavam ao município muito mais do que efetivamente recebiam no fim do mês, por conta de uma taxa de administração de 40% do valor do contrato. Só em 2016 a instituição recebeu mais de R$ 70 milhões, mas seus contratados reclamam da falta de salário e do não pagamento de direitos trabalhistas. A Coopsege, afirma o prefeito Jorge Miranda (foto), não vai mais ter contrato com o município.

Quem fornece as notas, prefeito?

A "nota" da suposta maior fornecedora individual para a Prefeitura de Silva Jardim não tem valor fiscal Farmácia que teria fornecido remédios comprados de outra pela Prefeitura de Silva Jardim tem CNPJ diferente e não fornece nota a cliente

Quem for à Drogaria Kanaã - nome fantasia da Drogaria F.P. Itaocara -, no centro de Silva Jardim, fizer uma compra e pedir o cupom fiscal vai ouvir do responsável que o computador-caixa está sem impressora. Se insistir vai levar para casa um papel sem validade alguma, com os nomes dos produtos adquiridos e os valores pagos, omitindo o número do CNPJ. A pequena loja do nanico município fluminense é citada como fornecedora de medicamentos para a Secretaria de Saúde, mas os pagamentos estão registrados em nome de outra empresa, a Farmácia Amaral de Itaocara, localizada a 240 quilômetros. Pelo que foi apurado até agora, a segunda empresa faturou mais de R$ 3,7 milhões na primeira gestão do prefeito Anderson Alexandre (foto), reeleito em outubro do ano passado e é a maior fornecedora individual de remédios para a Prefeitura, mesmo não sendo um atacadista do ramo, pois a atividade econômica registrada junto à Receita Federal é o “comércio varejista de produtos farmacêuticos, sem manipulação de fórmulas”. Embora o “Itaocara” esteja presente na razão social das duas empresas, os números no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica são diferentes, o que exige pelo menos uma explicação do prefeito, sobre quem realmente está fornecendo e porque a Secretaria de Saúde está comprando de um varejista se poderia pagar bem menos nas distribuidoras que operam no atacado.

Justiça fecha o cerco contra abuso em Araruama

Para a Justiça Chiquinho (centro) ostenta patrimônio incompatível com o que deve (Foto:Reprodução/Facebook) Decisão pede que marido de candidata seja investigado pela Receita Federal

A volumosa campanha da candidata à Prefeitura de Araruama pelo PDT, Lívia Soares Bello da Silva, a Lívia de Chiquinho, pode ser resultado de abuso de poder econômico e será investigada a mando da Justiça. Decisão nesse sentido foi tomada pela juíza Alessandra de Souza Araújo, da 92ª Zona Eleitoral, que determinou a prestação de contas dos gastos e mandou oficiar a Receita Federal para que a instituição participe da investigação, apurando, por exemplo, a situação do ex-prefeito da cidade, Francisco Carlos Fernandes Ribeiro, o Chiquinho da Educação, marido da candidata. É que Chiquinho - que está inelegível e indicou Lívia para disputar a Prefeitura em seu lugar -, tem uma volumosa dívida pública já cobrada em processos transitados em julgado, não pagou um centavo sequer ainda e mostra sinais exteriores de riqueza.

Golpe da pesquisa continua em Silva Jardim

Anderson Alexandre tem mostrado descontrole na campanha: já atacou até o promotor de Justiça Consulta de intenção votos para vereador foi divulgada como se feita para prefeito

Uma pesquisa de intenção de votos divulgada na semana passada pelo jornal oficial de Silva Jardim sugere que o prefeito Anderson Alexandre, candidato a reeleição pelo PMDB, estaria manobrando com as consultas aos eleitores para se beneficiar na campanha. Dez dias após a Justiça Eleitoral suspender o resultado de uma pesquisa realizada por um instituto e divulgado como se feita por outro - na qual foram apontadas várias irregularidades - o órgão oficial da Prefeitura veiculou o resultado de pesquisa realizada na primeira semana de junho, usando o número de registro de uma posterior, que, de acordo com o sistema de acompanhamento do Tribunal Superior Eleitoral, foi feita para apurar a preferência dos eleitores pelos candidatos a vereador e não pelos seis postulantes ao cargo de prefeito.

Fornecedor de uniformes fala de lisura e qualidade

Os uniformes fornecidos já foram distribuídos na rede, mas a empresa diz que pretende antecipar o que está previsto para ser entregue em setembro (Fotos: Divulgação/PMG e VER 55) A empresa venceu dois dos três lotes da licitação para aquisição de uniformes, calçados e kits escolares para rede de ensino de Guapimirim

Vencedor de dois lotes de uma licitação de cerca de R$ 4,5 milhões realizada este ano pela Prefeitura de Guapimirim para compra de uniformes, calçados e kit escolar, o empresário Roberto Murilo Marra afirmou que sua empresa, a VER 55 Comércio e Serviços, está há mais de oito anos no mercado e já forneceu para vários municípios fluminenses, nos quais participou de pregões para aquisição de diversos tipos de produtos, inclusive tecidos, como aconteceu em venda recente - no valor de pouco mais de R$ 900 mil - para a Prefeitura de Itaguaí. Ele explicou que embora o cadastro mostre o comércio de produtos de informática como atividade principal, a empresa está apta junto à Receita Federal para comercializar, no atacado, calçados, equipamentos elétricos, artigos de armarinho, pneus, câmaras-de-ar, componentes eletrônicos e equipamentos de telefonia e até odonto-médico-hospitalar; materiais de construção, móveis, artigos de escritório, papelaria, de vestuário e acessórios; produtos de cama, mesa e banho, alimentos e também insumos agropecuários, ferragens e ferramentas.

Empresas de informática venderam uniformes para Guapimirim

Rui Aguiar, secretário de Educação, comanda a distribuição dos itens comprados pela Prefeitura como se fosse um espetáculo E também material escolar. Ao todo foram gastos mais de R$ 4,5 milhões em duas firmas do Sul Fluminense, que disponibilizam o mesmo número de telefone em site sobre CNPJs

Localizada na Rua Coronel Manoel Bernardes, 115, em Paty do Alferes, a empresa VER 55 Comércio e Serviços não é uma indústria de roupas, muito menos de sapatos, tênis ou meias. Pelo menos é isso que revela seu cadastro na Receita Federal, onde registrou como atividade econômica principal o “comércio atacadista de equipamentos de informática”. Entretanto a empresa vendeu uniformes escolares, milhares de pares de tênis e meias para a Prefeitura de Guapimirim pelo total de mais de R$ 2,8 milhões, fornecimento contratado através de processo licitatório dividido em lotes e que, de acordo com representantes de algumas empresas interessadas no negócio, não teria sido muito divulgado.

Águas de Casimiro contrata empresa “faz tudo” para obras

Este galpão está incluído no contrato para receber obras de reforma Contrato é para reformar estações de tratamento e um galpão em 45 dias

De acordo com seu cadastro na Receita Federal a principal atividade da empresa Rosti Empreendimentos é o “comércio atacadista de produtos alimentícios em geral”, mas, no final do ano passado, ela foi contratada pela autarquia Águas de Casimiro (presidida pelo vereador licenciado Eliezer Crispim) por R$ 326 mil, para realizar obras de reforma em próprios do antigo Serviço Autônomo de Água Esgotos do município. O contrato chama a atenção pelo fato de a empresa não ser conhecida na região como especializada em reformas ou construções e mesmo assim ter ganho a licitação feita pelo ex-Saae. Segundo a nota de empenho emitida pela autarquia no dia 30 de dezembro, a Rosti foi contratada para (no prazo de 45 dias) reformar as estações de água de Casimiro de Abreu, Professor Souza e Rio Dourado, além da sede do setor de redes e ramais de água e esgoto e o galpão do almoxarifado da autarquia, recebendo, por cada serviço, respectivamente, R$ 195.920,62, R$ 55.469,38, R$ 31.515,65 e R$ 43.561,07, um total de R$ 326.466,72.

E agora, quem vai ressarcir os cofres de Guapimirim?

Transportadora inativa foi condenada pelo TCE a devolver R$ 4.671.400,64 a Prefeitura de Guapimirim Empresa condenada a devolver mais de R$ 4 milhões está inativa

A Prefeitura de Guapimirim será notificada nos próximos dias para informar quando foi feito o último pagamento a Transportadora Unidos de Guapi, que foi condenada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) a devolver R$ 4.671.400,64 aos cofres da municipalidade, por, supostamente, não ter ficado comprovada a locação de caminhões e máquinas pesadas. É que a empresa consta como inativa desde fevereiro de 2012, quando pediu baixa no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). A baixa foi indeferida, mas a atividade consta como suspensa desde o dia 28 de fevereiro daquele ano.

Valença ignora lei dos lixões e expõe população a riscos

Eles estão proibidos de existirem a céu aberto desde 1981, mas vinham sendo tolerados em todo o Brasil até 2010, quando uma lei federal estabeleceu prazo de quatro anos para uma tolerância zero. O “eles”, em questão, são os lixões, depósitos de lixos irregulares instalados por prefeituras em localidades urbanas, periféricas habitadas e até em áreas que deveriam ser preservadas em função do meio ambiente. No município de Valença, no interior do estado do Rio de Janeiro, mais que descumprir a lei, a Prefeitura está descartando o lixo hospitalar junto com o doméstico numa área da localidade de Quirino, onde seres humanos se misturam aos urubus, expondo-se às ameaças lançadas em forma de detritos.

Não há segurança no local e a placa que informa que existe lixo hospitalar por lá não afasta ninguém daquilo que o prefeito Álvaro Cabral chama de “aterro sanitário”, mas não passa de um lixão proibido pela Lei nº 12.305, sancionada em agosto de 2010 e regulamentada por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 23 de dezembro do mesmo ano. De acordo com a lei, os prefeitos têm até 31 de agosto de 2014 para acabarem com os lixões, mas, caminhando na contramão, a administração municipal de Valença não está dando nenhum passo nessa direção e, tudo indica, deverá continuar descartando o lixo doméstico e hospitalar no mesmo espaço ainda por tempo indeterminado, se nada for feito pelas autoridades para obrigarem o prefeito a ter mais cuidado com o ser humano e preocupação com o meio ambiente.