‘Caixa-preta’ guarda os segredos do transporte de alunos em Porto Real

Prefeitura não revela número de estudantes atendidos, mas já pagou até agora R$ 4,8 milhões pelo serviço

Transparência não tem sido o forte na gestão de Marques Exatamente um ano e 24 dias após a publicação da matéria Números do transporte de estudantes ainda em segredo em Porto Real, o prefeito da pequena cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, Ailton Marques (foto), ainda não determinou a disponibilização de dados simples sobre a prestação do serviço contratado junto à empresa Global Renta Car, como por exemplo, o tamanho da frota locada e o quantitativo de alunos beneficiados. Tais informações ajudariam bastante os contribuintes interessados no controle social garantido a todo cidadão pela Lei da Transparência compreenderem porque a Prefeitura pagou a empresa mais de R$ 4,8 milhões entre maio de 2017 e fevereiro deste ano.

Queimados: apesar de reforma que custou R$ 3,2 milhões, ‘novela’ da maternidade ainda não tem data para acabar

Enquanto a unidade não começa a funcionar os bebés de Queimados vão nascendo em Nova Iguaçu No dia 10 de julho de 2018 a Prefeitura e Queimados anunciou que as obras de reforma no prédio desapropriado para sediar o Hospital-Maternidade do município estavam 70% concluídas, e que a inauguração aconteceria em setembro do mesmo ano.  Já se passou mais de um ano desde então, e nada do "parto" acontecer, assim como a desapropriação ainda não foi quitada.

Em novembro do ano passado o deputado Max Lemos – ex-prefeito da cidade e responsável pela aquisição nada amigável do imóvel no qual funcionava a Casa de Saúde Bom Pastor – disse que faltava apenas licitar a compra de móveis e equipamentos, e que uma OS (Organização Social) seria contratada para administrar a unidade. Lá se foram três meses e a data de inauguração até ontem (2) não havia sido marcada ainda.

Empresa de irmão do genro do prefeito faturou alto em Itaguaí

A Construtora Lytorânea foi contratada para obras, além de locação de veículos e máquinas

A Prefeitura de Itaguaí firmou vários contratos com a Lytorânea desde que o município passou a ser governado por Charlinho A gestão do prefeito Carlo Busatto Junior, o Charlinho, é chamada de "governo de família", por conta das nomeações de parentes dele, de familiares do vice-prefeito Abeilard Goulard Filho, o Abeilardinho, de vereadores e de membros do primeiro escalão, mas o termo latino familia, é mencionado também quando a rendosa relação de negócios iniciada no primeiro mandato de Busatto entre a Prefeitura e a Construtora Lytorânea é lembrada. É que a empresa foi representada nos vários contratos firmados desde então com a administração municipal, pelo empresário Bruno da Costa Abade, irmão do também homem de negócios Marco Aurélio da Costa Abade, genro de Charlinho.

Atualmente o sistema da Prefeitura não aponta nenhum contrato em nome da Lytorânea, que também já teve Marco Aurélio como dono, mas o mesmo sistema revela pagamentos feitos à empresa na atual gestão, uma soma de R$ 295 mil (confira aqui), "coisinha pouca", considerando os milhões que a Lytoranea faturou dos cofres itaguaienses nos dois governos anteriores do sogro do irmão do dono.

Mesmo sabendo dos riscos de o TCE suspender o processo, Prefeitura de Japeri contratou empresas de maquinas e caminhões sem operador

O cadastro da empresa contratada diz claramente: "sem operador" A suspensão de um contrato irregular firmado pela Prefeitura de Japeri para aluguel de máquinas e caminhões para o serviço de manutenção das vias publicas está dando o que falar no município mais pobre da Baixada Fluminense. É que apesar de o edital de licitação exigir locação dos equipamentos com os respectivos operadores, a gestão do prefeito Cesar Mello deu como vencedora do certame uma empresa que não tem operadores como objeto em seu cadastro junto à Receita Federal. Por causa disso o Tribunal de Contas do Estado apontou irregularidade e suspendeu o contrato. Agora, por obra e graça de um processo licitatório mal feito, em pleno período de chuvas, não há como fazer a manutenção das vias.

A suspensão do contrato por parte do TCE se deu de ofício (aquele que é feito sem pedido), simplesmente pelo fato de a empresa Lacerda Construções Comércio – contratada por mais de R$ 4 milhões – não possuir no CNPJ o operador do serviço. No caso o Tribunal de Contas entendeu que a licitação possui irregularidade, já que não há como pagar um serviço de máquinas e caminhões sem que a empresa disponibilize o operador do serviço.

CPI da Prolagos inicia trabalhos na Alerj

Defesa dos direitos dos consumidores está na pauta

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar suspeitas de irregularidades praticadas pela Prolagos, concessionária de serviços públicos de água e esgoto, será instalada nesta terça-feira (11), às 13h30, na sala 311 do Palácio Tiradentes. A primeira reunião deve efetivar a presidência do deputado Sérgio Luiz Costa Azevedo Filho, o Dr. Serginho (foto), autor do pedido de CPI, vice-presidência e relatoria. Aprovada no ano passado, a CPI iniciará os trabalhos para apurar suspeitas de despejo irregular de resíduos químicos e esgoto na Lagoa de Araruama e no Reservatório de Juturnaíba.

Rio das Ostras: transferência de responsabilidade e retenção de pagamento podem gerar mais um contrato emergencial no lixo

Em um ano e meio a Prefeitura firmou sete contratos sem licitação para serviços voltados para a limpeza urbana A cargo da Albanq Serviços de Locação de Equipamentos, a coleta de lixo, de acordo com moradores e comerciantes de Rio das Ostras, está a cada dia pior, mas em vez de cobrar mais eficiência da empresa, a Prefeitura estaria transferindo a responsabilidade, ao sugerir que a sujeira ocorre por culpa de outra firma, a responsável pela retirada dos resíduos do aterro sanitário interditado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), não pela remoção dos resíduos domiciliares ou da rede de saúde.

Atualmente o lixo coletado pela Albanq esta sendo levado para a central de tratamento de Macaé, assim sendo, a situação do aterro local nada teria a ver com a retirada do lixo dos resíduos sólidos das ruas, o que tem de ser feito todos os dias e de forma eficiente - pelo que consta no contrato emergencial 003-20 -, pela Albanc, que, em um ano e meio, já firmou seis contratos sem licitação com a gestão do prefeito Marcelino Borba, o Marcelino da Farmácia, dois deles no mês passado, e poderá até vir a ganhar mais um se a firma que venceu a licitação para o transbordo tiver o contrato cancelado ou renunciá-lo por falta de pagamento.

Emergências do lixo em Rio das Ostras podem deixar prefeito em maus lençóis e gerar processo por improbidade

Marcelino Borba autorizou seis contratos emergenciais do lixo em um ano e meio Quando, no dia 16 de outubro do ano passado, a Prefeitura de Rio das Ostras – depois de um longo período de adiamentos – fez a concorrência pública do serviço de coleta de lixo, imaginou-se que havia chegado ao fim o festival de emergências, com faturamento garantido para empresa Albanq Serviços de Locação de Equipamentos. Mero engano, pois o prefeito Marcelino Borba, o Marcelino da Farmácia, autorizou mais dois contratos emergenciais, um do total de seis desde 16 de julho de 2018, primeiro dele como governante.

Pelo que está nos contratos 004 e 033, datados de 13 de janeiro de 2020, a Albanq vai receber R$ 5,4 milhões (confira aqui) por 180 dias de um serviço apontado como péssimo por moradores e comerciantes da cidade. Quanto ao processo licitatório esse foi parar na Justiça, porque a Prefeitura desclassificou, aparentemente sem justa causa, duas firmas que concorreram com a Albanq, e a aposta é grande que essa licitação pode vir ter o mesmo destino de outras já questionadas no Poder Judiciário, o arquivo das anuladas.

Compra de fraldas pela Prefeitura de Japeri será alvo de representação junto ao Tribunal de Contas do Estado

Até a última sexta-feira (31/1) a rede de drogarias Araújo oferecia no varejo o pacote com 50 fraldas da marca Babysec ao preço de R$ 25,90, e os sites Americanas.com e Extra.com a 32,68. Sete meses antes a Prefeitura de Japeri registrou uma ata se propondo a pagar R$ 31,40 por cada um dos 1.200 pacotes de 48 unidades do produto da marca Alfama – não encontrado pelo elizeupires.com grandes nas redes de varejo – que for entregue pela firma declarada vencedora do Pregão 002/2019.

Considerando preço e quantidade registrada, basta uma continha rápida para se constatar que o município mais pobre da Baixada Fluminense está aceitando pagar mais caro pelo item 09 da Ata de Registros de Preços 004/2019 da Secretaria de Saúde, homologada no dia 17 de junho do ano passado.

Câmara de Valença licita compra de 18 mil litros de gasolina, o suficiente para quatro voltas e meia pelo planeta terra

Em fevereiro de 2018 a Câmara de Vereadores de Valença, município do Sul Fluminense, abriu um processo licitatório para aquisição de 7.300 litros de gasolina para abastecer seus carros num período de dez meses. Agora, cerca de dois anos depois, a Comissão de Licitação da Casa, com a modalidade carta convite, marcou um novo processo, desta vez para compra de 18 mil litros, duas vezes e meia o volume licitado em 2018.

Atualmente o abastecimento da frota da Câmara de Vereadores vem sendo feito pelo Auto Posto Valença, em cujo nome aparecem no site oficial da Casa dois extratos de contrato, um no valor de R$ 35.332,00, relativo ao período de 1º de março a 31 de dezembro de 2018, e outro, com a soma de R$ 34.748,00, referente ao período de 1º de fevereiro a 31 de dezembro de 2019.

Decisão judicial que tira a Cedae de Valença obriga a Prefeitura prestar o serviço, o que poderá ser feito via terceirização ou por uma autarquia

Em 2018 a Cedae entregou a estação de tratamento de Conservatória, mas a insatisfação com os serviços prestados pela estatal é grande em todo o município A sentença proferida inicialmente no dia 11 de dezembro de 2014 pelo juiz Daniel Konder de Almeida, declarando inválido o contrato firmado em fevereiro de 2009 pelo então prefeito de Valença, Vicente Guedes, com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), está confirmada, faltando apenas a publicação do trânsito em julgado. A decisão judicial não só realiza o sonho da população de se livrar da estatal, como obriga a Prefeitura prestar os serviços, o que poderá ser feito com a criação de um departamento específico, um DAE, implantação de um serviço autônomo ou terceirização.

Quem entende do assunto afirma que nas duas primeiras hipóteses não é necessário a abertura de uma concorrência pública, por se tratarem de órgãos do próprio município, mas a exigência é cabível na terceira. Porém, em termos jurídicos, nada impediria o prefeito Luiz Fernando Graça – pelo curto espaço de tempo e por tratar-se de serviços essenciais – de optar por um contrato emergencial até que se realize o processo licitatório.