Falta de transparência no Fundo Previdenciário preocupa servidores de Miguel Pereira: aplicações passam de R$ 70 milhões

Não há links para acesso a dados financeiros, o que dificulta o controle social por parte do cidadão Lá pelas bandas de Miguel Pereira, cidade do Sul Fluminense, propaga-se que o prefeito Andre Pinto, o André Português, é o mais bem avaliado da região, com uma gestão eficaz e transparente. Porém, quem entra no Portal da Transparência buscando informações sobre a previdência municipal, até vai encontrar uma aba para tal, mas clicar sobre ela será mera perda de tempo, pois o interessado vai deparar apenas com links para consultas de calendários e decretos, quando deveria ter acesso a balancetes, folha de pagamento, valores repassados e dados sobre aplicações no mercado financeiro.

A falta de transparência impede, por exemplo, que os servidores fiquem sabendo que o Certificado de Regularidade Previdenciária do fundo criado para lhes garantir a aposentadoria está vencido, que os repasses do mês de novembro de 2019 apresentaram déficit de mais de R$ 1,3 milhão, e que os recursos do fundo investidos passam de R$ 70 milhões (confira aqui), dinheiro cujo resultado de sua administração deveria estar disponibilizado de forma clara no portal, para permitir o controle social garantido por lei a todo cidadão.

Paraíba do Sul: decisão contrária do Tribunal de Contas parece não valer nada para os membros da Câmara de Vereadores

Ao que parece, se depender da maioria dos vereadores de Paraíba do Sul, cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, o prefeito Alessandro Cronge Bouzada (foto), não terá nenhum problema. Poderá continuar com a falta de transparência em sua gestão, não realizar audiências públicas para avaliar o cumprimento das metas fiscais, cometer impropriedades nas contas e gastar com pessoal mais que os 54% estipulados pela Lei de Responsabilidade, que os nobres representantes do povo e fiscais das ações do Poder Executivo estarão lá para socorrê-lo. Foi assim com as contas do exercício de 2017 e poderá não ser diferente com as de 2018, igualmente reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado na semana passada.

É o que sugerem a tranquilidade do prefeito em relação ao comportamento dos vereadores em relação ao governo, e o fato de a Câmara – com voto da maioria – ter aprovado a prestação de contas de 2017, descartando o parecer contrário do TCE. Segundo o Tribunal de Contas, naquele ano foram abertos créditos adicionais com base em excesso de arrecadação sem fonte de recurso especificada, e o governo deixou de fazer audiências públicas para apresentar o cumprimento das metas fiscais, como determina a legislação.

Prefeitura de Aperibé dificulta acesso a edital para licitação da coleta de lixo exigindo realização de cadastro

Depois de sucessivas alegações de emergência para firmar contratos sem licitação com a empresa Vieira Stones Empreendimentos – encarregada da coleta de lixo –, a Prefeitura de Aperibé, uma pequenina cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, marcou para o dia 9 de março a Concorrência Pública 001, que deveria ter ocorrido no ano passado. Entretanto, o edital que deveria estar disponível para interessado em fazer o controle social garantido pela Lei da Transparência, só pode ser baixado no site oficial do município, por quem estiver cadastrado como fornecedor. A exigência, além de ferir lei federal, contraria orientação do Tribunal de Contas do Estado, que já enquadrou vários prefeitos por esta prática.

De acordo com a legislação e com as normas do TCE, os processos licitatórios devem ser amplamente divulgados e os editais que os sustentam tem de estar disponíveis para o acesso fácil aos interessados em participar e de forma a permitir o controle social garantido por lei a todo e qualquer cidadão. De acordo com reclamações que já chegaram ao TCE e deverão ser levadas também ao Ministério Público, a exigência vem sendo feita em todos os processos licitatórios abertos pela Prefeitura de Aperibé.

Com previdência deficitária servidores ativos de Rio Bonito temem pelo futuro e os aposentados o presente

Com dois meses sem proventos e sem o décimo terceiro, aposentados iniciaram uma campanha para arrecadar donativos O último Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) da previdência própria de Rio Bonito foi concedido no dia 5 de novembro de 2013, mas acabou cancelado três dias depois por emissão indevida, por conta de irregularidade na gestão.  É o que está registrado no Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência Social (CADPREV), que aponta ainda três propostas de parcelamento de dívidas causadas pela retenção de contribuições patronais e dos servidores, todos de 2014, negados. Para piorar a situação, o último demonstrativo de resultados de avaliação atuarial é referente ao exercício de 2013 (confira aqui), documento que, naquela época, já apontava um déficit de R$ 255 milhões. Com a falta de transparência não dá para saber a real situação financeira do Iprevirb, mas os aposentados e pensionistas que dependem do órgão para receberem seus proventos conhecem muito bem as consequências disto...

Os inativos estão há dois meses sem receber e ainda não viram a cor do décimo terceiro, situação que parece não preocupar o prefeito José Luiz Alves Antunes, o Mandiocão, que ainda não deu uma previsão para o pagamento. Sem outra a saída, aposentados e pensionistas iniciaram uma campanha para recebimento de donativos. Se sentem envergonhados, pois dedicaram décadas de suas vidas à serviço do município e hoje não conseguem receber o que lhes é direito

Previdência de Silva Jardim continua em situação irregular e sem receber prestações de acordo de parcelamento de contribuições retidas

A Prefeitura de Silva Jardim vem deixando a desejar com a previdência municipal e com os servidores Em dezembro a presidente do órgão previdenciário dos servidores de Silva Jardim, Rosilane Brum, afirmou em sua rede social que o ano de 2019 estava sendo encerrando "com rentabilidade muito satisfatória", fruto, segundo ela, "de muito trabalho, estudo, dedicação de todos os envolvidos". Só que em relação ao Certificado de Regularidade Previdenciária nada mudou. O CRP está vencido desde o dia 16 de setembro de 2017, e, para piorar a situação, a Prefeitura parou de pagar as mensalidades de um acordo de parcelamento de um débito de R$ 2,8 milhões, acumulado com a retenção das contribuições patronais.

Pelo que consta no Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência Social (CADPREV), a última parcela paga do acordo 00061 – firmado no dia 19 de janeiro de 2017 para quitar em 60 meses uma dívida de R$ 2.838.302,15 – é número 026, que venceu em  28 de março do ano passado e foi quitada no dia 4 de abril, com um pagamento no total de R$ 57.515,03.

Prefeitura de Miracema compra pão em empresa que tem venda de móveis como atividade principal

Localizado no interior do estado do Rio de Janeiro, o município de Miracema, como todos os outros, tem padarias funcionando, produzindo e comercializando, mas é numa empresa que tem como atividade econômica principal a venda de mobília que a administração do prefeito Clóvis Tostes, o Clovinho, resolveu comprar pão e leite.

É o que revela uma ata de registro de preços homologada em favor da firma Nort Belo Comércio de Móveis e Serviços, que, segundo consta no cadastro dela junto à Receita Federal, tem como objeto principal o "comércio varejista de móveis".

Prefeitura de Maricá dificulta acesso aos editais de licitação e pregão para compra de uniformes pode ir parar na Justiça

As reclamações de dificuldades de acesso aos editais de licitação não são novidades Marcado inicialmente para o dia 30 de dezembro, o Pregão 86/2019 aberto pela Prefeitura de Maricá para compra de uniformes escolares e calçados, foi adiado para o próximo dia 16, em ato publicado nesta segunda-feira (6) no diário oficial do município, mas ele poderá não acontecer na nova data escolhida, uma vez que empresas interessadas em participar estão alegando dificuldades em obter o edital, o que levanta questionamentos sobre o processo licitatório, que deverão ser levados ao Tribunal de Contas do Estado e à Justiça.

Na verdade, a dificuldade de acesso aos editais dos processos licitatórios não é nenhuma novidade no município. As queixas que já eram muitas na gestão do prefeito Washington Quaquá, aumentaram bastante na administração de Fabiano Horta (PT).

Serviço de iluminação fica mais caro em Japeri

E a Prefeitura não mostra o contrato nem a ata do pregão vencido pela empresa que já atuava na cidade

A Construtora Express ganhou o primeiro contrato na Prefeitura de Japeri em agosto de 2017 Além do contrato para locação de máquinas pesadas e caminhões, cuja suspensão foi determinada pelo Tribunal de Contas do Estado, mais um processo licitatório realizado pela Prefeitura de Japeri pode vir até seus efeitos cancelados. É que ainda está semana deverá ser encaminhada ao TCE uma representação para que sejam apuradas as condições em que se deu o Pregão Presencial 016/2019, homologado no dia 12 de dezembro pelo prefeito Cesar Mello, em favor da empresa Construtora Express, que já vinha atuando no município desde agosto de 2017, quando ganhou um contrato com valor global de R$ 2.320.268,87, por 12 meses de trabalho.

O questionamento aponta falta de transparência e o fato de a empresa já estar prestando o serviço antes da disponibilizado pela Prefeitura, que limitou-se a publicar no quase vazio Portal da Transparência a homologação do processo licitatório e o valor do novo contrato, fixado em 2.597.000,00,  R$ 276.731,13 a mais que o preço contratado anteriormente.

Ação do Ministério Púbico não impediu que empresa do lixo continuasse faturando sem licitação na Prefeitura de Itaperuna

O Ministério Público apontou irregularidades na contratação da JL&M Em fevereiro do ano passado o Ministério Público ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito de Itaperuna, cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, e ate conseguiu o bloqueio dos bens do prefeito Marcus Vinicius de Oliveira Pinto e mantê-lo afastado do cargo por oito meses, por conta de supostas irregularidades na contratação da JL&M Incorporadora e Construtora – sem licitação – para fazer a coleta de lixo na cidade, mas mesmo assim a empresa continuou faturando junto a Prefeitura. Aparecem em nome dela no sistema da administração municipal pagamentos no total de R$ 7,4 milhões em 2019 (confira aqui), exatos R$ 6.013.036,11 entre 17 de abril e 28 de novembro.

No período em que Marcus Vinicius esteve fora do cargo o município foi governado pelo vice-prefeito Paulo Rogério Bandole Boechat. Rogerinho, como o vice é mais conhecido na cidade, além de ter mantido a JL&M operando na limpeza urbana, renovou a dispensa de licitação por 45 dias "ou até a conclusão do processo licitatório". Ocorre que o Portal da Transparência não mostra nada sobre a licitação do serviço de coleta de lixo, nem sobre uma nova escolha de prestadora do serviço via emergência, anunciada no dia 15 de outubro.

Prefeitura de Seropédica marca licitações, mas não mostra editais

Documentos deveriam estar no site do município para serem baixados pelos interessados

A Prefeitura de Seropédica não facilita em nada o controle social garantido ao cidadão pela Lei da Transparência O prefeito de Seropédica, Anabal de Souza, é classificado por alguns colegas como um governante à moda antiga, não muito chegado à transparência nas contas públicos, muito menos nos processos licitatórios, o que pode ser constatado por quem navega no site oficial do município. No portal não há informações claras sobre despesas, muito menos são encontrados neles os editais que ditam as regras e condições de um processo licitatório, contrariando as orientações do Tribunal de Contas do Estado. Para está quinta-feira, 26, por exemplo, estão marcados três pregões, mas quem buscou até hoje (25) pelos editais só encontrou os avisos.